Instituto Brasileiro de Museus
Museu de Arte Religiosa e TradicionalPercurso expositivo

Para se conhecer o Museu de Arte Religiosa e Tradicional (Mart), deve-se iniciar a visita antes mesmo de se adentrar no espaço do antigo Convento de Nossa Senhora dos Anjos.
No adro frontal está o Cruzeiro, uma imensa cruz esculpida em pedra, elemento singular da arquitetura franciscana, representativa do culto à Paixão de Cristo, que determinava o tratamento do espaço à frente da igreja conventual, separando o sagrado do profano.
Ainda na área externa, à esquerda de quem caminha em direção à entrada principal, podem ser observados os muros do cemitério e da capela de São Francisco da Penitência, pertencentes à Ordem Franciscana Secular de Cabo Frio (OFS), em funcionamento até os dias atuais.
A ENTRADA

A data que marca o lançamento da pedra fundamental do convento franciscano de Cabo Frio – 02 de agosto de 1686 – está inscrita na portada da Igreja. Abaixo, o nicho resguarda a réplica da padroeira do convento, Nossa Senhora dos Anjos. A imagem original está em exposição na igreja conventual.
Atravessando essa porta e entrando no Museu de Arte Religiosa e Tradicional (Mart), estamos na antiga igreja conventual, local que concentra a maior parte do acervo do antigo Convento.
IGREJA CONVENTUAL
Logo ao ingressar no espaço da igreja, o visitante sente-se atraído pelos belos entalhes em madeira com douramentos que compõem os altares. Mas ao percorrer o caminho até eles, ele vai, aos poucos, descobrindo outros elementos no templo, mais sutis.
À esquerda da área de ingresso no Museu, estão os santos de roca (séc. XVIII) representando a devoção franciscana: Santa Isabel, São Luís Rei da França, Santa Rosa de Viterbo e São Benedito de Palermo. Eles eram transportados sobre andores, junto a outras imagens de santos da ordem, nas procissões da quarta-feira de cinzas. Já à direita da entrada, vemos a pia de água benta.
Já à direita, estão expostas imagens pertencentes ao antigo Convento em terracota, do século XVII. Neste local, despertam a atenção as imagens de um santo franciscano (provavelmente, São Boaventura), encontrada emparedada na antiga Sacristia, e do Menino Jesus, enterrada no claustro. Além dessas, estão expostas o Tronco de Frande, São Luis de Tolosa e o Senhor na Descida da Cruz. Destaque para a imagem original de Nossa Senhora dos Anjos que, como já mencionada, ficava em um nicho acima da porta de entrada do Convento.
Deste mesmo lado, podemos observar uma litografia do século 19, revelando alguns aspectos da estrutura original do Antigo Convento. Também neste lado, temos um balcão expositivo, com louças, chaves, vasos, livros e outros objetos remanescentes dos frades que viveram no espaço.
Transitando pela nave da igreja, desde o início, é possível observar as paredes laterais da igreja, adornadas com azulejos. Ali, predominam os motivos em branco, azul e amarelo e, na área a capela-mor, azulejos nas cores azul e branco.
A Sagrada Família (imagens de Jesus Cristo criança, da Virgem Maria e de São José) é avistada no centro da nave, encerrada no oratório em estilo D. Maria. Neste ponto de seu caminhar pela igreja, voltando-se para a direção da entrada do Museu e olhando para cima, o visitante descobre o coro em madeira, utilizado pelos franciscanos, apreciadores da música. Sobre o coro, o óculo, abertura por onde penetram os raios de sol.
No lado oposto ao nicho que resguarda o conjunto com a Sagrada Família, o visitante observa a Capela de São Francisco da Penitência, da Ordem Franciscana Secular (OFS), através de uma cancela de madeira. Chegando próximo à cancela, é possível de se ver o altar-mor da capela e, nele, o conjunto escultórico que narra a aparição do Cristo Seráfico para São Francisco de Assis, quando o santo recebeu os estigmas.
Continuando a caminhada na direção dos altares, a partir da cancela em madeira, que separa a capela da igreja conventual, o visitante se depara com um belo conjunto escultórico, o Milagre da Porciúncula, que narra a aparição da Virgem Maria sobre uma nuvem com anjos e de seu Filho para São Francisco de Assis.








ALTARES DA IGREJA HISTÓRICA
Seguindo o percurso em direção aos altares da igreja conventual, a exuberância das volutas e dos douramentos do estilo barroco contrasta nitidamente com a simplicidade arquitetônica do templo. No ponto mais alto e central do altar-mor, destaca-se a imagem em madeira policromada e dourada de Nossa Senhora dos Anjos (século XVIII), padroeira do convento. Esse retábulo principal estabelece um diálogo harmonioso com os altares colaterais, dedicados a São Francisco de Assis (século XVIII) e a Santo Antônio de Lisboa (século XVII).
A capela-mor abriga um rico acervo de arte sacra datado do século XVIII. Entre as peças barrocas esculpidas em madeira policromada, destacam-se as imagens de São José de Botas, São Joaquim de Botas, São Francisco de Assis e Santana Mestra com Nossa Senhora Menina. A estética maneirista em terracota também se faz presente nas esculturas de Nossa Senhora da Imaculada Conceição e de Santa Clara. No centro do espaço, sobre o sacrário, repousa a beleza simbólica da Árvore da Vida, enquanto o ambiente se completa com objetos litúrgicos e de mobiliário, como um genuflexório e um turíbulo.
No retábulo lateral direito, destaca-se a imagem maneirista em terracota de Santo Antônio de Lisboa segurando o Menino Jesus, datada do século XVIII. Nos nichos adjacentes, encontram-se uma pequena escultura de Nossa Senhora da Piedade e uma representação de Santana Mestra com a Menina Maria, esta última exibindo singulares características arabescas, ambas pertencentes ao século XVII.





JARDIM
Uma porta lateral à direita conduz ao jardim, onde repousam os vestígios do antigo claustro. Originalmente, o Convento de Nossa Senhora dos Anjos possuía uma estrutura quadrangular, com um pequeno claustro central em torno do qual se distribuíam as celas, o refeitório, a biblioteca e as salas de estudo.
No local, ainda é possível identificar a antiga cozinha franciscana, preservando sua pia, seu forno e o piso de lajotas. Hoje, as ruínas desse espaço de trabalho integram-se harmoniosamente à vegetação e ao canto dos pássaros, criando uma atmosfera de contemplação onde os visitantes também podem ver de perto os três sinos originais do campanário.
O jardim reserva ainda algumas surpresas históricas próximo às salas de exposição. Uma delas é a caronada — um canhão curto de ferro fundido que, embora não fizesse parte do convento original, foi incorporado ao acervo após a fundação do museu. Outra peça de destaque é o fragmento de um lavabo do século XVII, uma cuba esculpida em mármore de lioz lavrado.





SALAS DE EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA
A partir do jardim, o visitante tem acesso às outras duas salas de exposição do museu.
Uma imponente porta em arco, com batente em pedra, sinaliza a entrada da antiga Sala do Capítulo, o coração administrativo do convento, onde os frades se reuniam para tomar as decisões da comunidade. Sendo uma das poucas estruturas preservadas da construção original da área de clausura, essa portada conecta-se harmonicamente à ala frontal, que foi reconstruída para abrigar o Mart. Hoje, o espaço recebe exposições temporárias que dialogam com elementos arquitetônicos remanescentes, como as seteiras — as aberturas estreitas e alongadas na fachada, originalmente usadas para ventilação e defesa.
O percurso se encerra na saleta do campanário, localizada sob o alpendre de entrada do museu. Esse ambiente acolhedor funciona como uma galeria dedicada à exibição de quadros e fotografias contemporâneas.

